quinta-feira, 21 de abril de 2016

Conversas de meia-noite


É meia noite em ponto, estou deitada e a pensar. Começou um novo dia. Mais um. Tento que os dias não sejam “só mais um”. Mas é “mais um” que começo a pensar. Mais um em que a solidão toma conta dele. Começa um novo dia. Vamos ver como corre, aposto que será outro “só mais um” nada de especial. Fodasse, eu não sou assim.

Sou uma mulher independente, faço tudo por mim, o que acho que devo e mereço. E eu mereço tudo. Tenho plena noção de que, das pessoas que conheço, eu sou das que mais procuro a felicidade, que mudo ou abandono aquilo que não me traz felicidade e, tudo o que eu possa fazer ou mudar, para ser um bocado mais feliz, eu faço sem problemas e preguiças, faço disso um projecto, empenho-me ao máximo. Mas tenho sempre noção no que me meto e só invisto e insisto na ideia se ela for realizável. É uma defesa. Lido muito mal com as minhas falhas. Deitam-me completamente a baixo.

São muitos os dias em que penso que sou uma merda. Não mereço nem valho nada. Depois tento contradizer estes pensamentos. Mas há fases. Estou numa fase em que penso isto todos os dias. Queria que alguma coisa me corresse bem, algo de que eu me pudesse orgulhar. Sou feliz sozinha. Adoro estar sozinha. Mas há 3 anos que estou solteira. Há 3 meses que vivo na solidão. Estou-me a ir a baixo. Fodasse, odeio não ter controlo sobre isto.

Nunca precisei de ter namorado para estar feliz, muito pelo contrário, sempre fui mais feliz estando solteira do que comprometida. Daí os meus namoros serem sempre de poucos meses. Mas agora estou mais confiante, estou feliz com o meu corpo e apesar destas fases mais “depressivas” sei que sou feliz comigo. Quero alguém para partilhar isso. Alguém que faça uma festa tão grande quanto a minha quando “aparece” mais um músculo, um osso.

Alguém que me dê a mão e diga “vai tudo correr bem, eu estou aqui.”. Alguém que me mime, que me faça ver que sou bonita, que agrado a alguém. Cheguei ao ponto em que, para estar bem e para poder “evoluir” psicologicamente, preciso de um suporte. Que eu seja alguma coisa para alguém, que me faça ver que não sou um monstro.


Sinto-me um monstro. Estou sozinha, numa solidão. É meia noite e começou um novo dia. Mais um dia que vai ser  “só mais um”. Fodasse, mas eu não sou assim.

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