terça-feira, 29 de março de 2016

Instavelmente estável

Tanto trabalho, tanto tempo investido em algo que não se vê, mas que é a prioridade nesta fase. Horas ao espelho para o cérebro perceber que não há (assim tantas) gorduras a mais, que o corpo não está assim tão mau, que não há peles, não há marcas (físicas) do excesso de peso. Finalmente o meu cérebro percebeu que o meu corpo é outro e que, por isso, eu posso ser mais feliz, desinibida e extrovertida. Afinal até tenho coisas bonitas, até posso ser fisicamente atraente aos olhos de algumas pessoas. Já não é só a minha família e amigos próximos que me dizem que sou bonita. Os outros já dizem, olham e isso sabe bem. Tenho quase uma sensação de vitória dentro de mim.

E do nada, por umas palavras, tudo desaba e agora custa o triplo. Porque antes não havia confiança nem auto estima para derrubar e agora há. Mas não há só isso, há a queda do orgulho, da tal sensação de vitória. E a perda de um trabalho intenso de meses, que nunca ninguém viu nem percebeu que estava a ser feito e, por isso, agora também ninguém vê a sua destruição, a queda gigantesca que isto representa.

Decidi durante esta fase de “trabalho interior” manter-me psicologicamente estável e, por isso, afastar-me de tudo o que me pudesse destabilizar minimamente. Sendo a confiança e auto estima as minhas maiores fraquezas psicológicas e, estando eu a trabalhar para as melhorar, não podia dar-me ao luxo de haver algo exterior que as pudesse deitar a baixo ou afectá-las.

Achei, há pouco tempo que embora recém-nascidas e por isso ainda meio bambas já podia admitir alguma confiança e auto estima que me permitisse abrir o cérebro e o coração para coisas novas e voltar a algumas aventuras. 
Que erro! Que burra, estúpida!

Correu tudo mal! Ainda ninguém se tinha interessado por este “novo eu”, eu ainda não me tinha interessado por ninguém e tudo o que tinha para correr mal, correu e o muito que tinha para correr bem, não existiu. Serviu para me mostrar que afinal ainda não estou assim tão estável, muito pelo contrário, estou mais sensível do que nunca. Porque agora há sempre a questão “eu não estou tão magra como as pessoas pensam” mas a verdade é que eu não sei o que é que as pessoas pensam.

Há logo um sentimento de derrota, de que afinal todos os outros são melhores, que eu sou a pior coisa à fase da terra, que tudo me corre mal, porque não é possível as coisas correrem bem a alguém como eu. E depois penso "calma, isto também não pode ser assim" mas tudo me mostra que é assim. É esta a m*rda que me passa pela cabeça à primeira derrota, à primeira barreira, sou logo abalrroada pelo "há sempre alguém melhor do que eu".

A culpa não foi do outro, foi minha e eu assumo-a a 100%, o problema de não exteriorizar continua cá, a insegurança também e ele não gozou comigo, ele sentiu o que sentiu.


Mas foda**e, eu senti mais. 


(JANEIRO 2015)

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