terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Parem, por favor!

Quero começar por agradecer (muito ironicamente) a quem gozou comigo durante 5 anos, porque foi graças a vocês que criei as minhas inseguranças e complexos. Foram vocês que me fizeram assim, OBRIGADOOO!
Fui vitima de bulling dos 9 aos 14 anos (5º ao 9º ano) e isso "ajudou" a construir o meu "eu" actual. Era gozada não pelos colegas de turma mas pelos mais velhos e até por um professor. Um "colega" chegou a dar-me um estalo e um empurrão, foi a situação mais grave que me aconteceu mas não foi a que mais me marcou, As palavras doíam muito mais. 
Eu achava que merecia as coisas que ouvia, pensava que não diziam aquilo para me magoar mas sim porque era a verdade e se era a verdade eu merecia ouvi-la. Hoje entendo que apesar de ser verdade o que me diziam, (eu era gorda, há que admiti-lo) eles não tinham o direito de o dizer e muito menos de me discriminar por isso. 
Eu estava a crescer, a perder a inocência de criança para me tornar numa adolescente, e eles fizeram com que eu fosse uma adolescente e adulta complexada, infeliz e a achar que seria assim para sempre. Eles tiraram-me os últimos anos mágicos da infância e destruíram o inicio de algo tão importante, como o meu crescimento enquanto mulher. Obrigado mais uma vez.
Fiz dieta (a tal fracassada do post anterior) neste período e mesmo assim eles continuaram a chamar-me gorda. Aí foi o fim da minha esperança e o inicio de mais um período negro porque achei que fizesse eu o que fizesse, perdesse o peso que perdesse para aquelas pessoas eu seria sempre gorda. Obrigado por, aos 12 anos, terem morto a minha esperança, a que dizem ser a ultima a morrer...
Talvez seja por isto tudo que hoje em dia defendo com tanta força a igualdade e liberdade, a não discriminação, o não haver pessoas diferentes e mesmo que haja pequenas diferenças entre nós, elas não podem ser um factor discriminatório. Obrigado por isto (uma coisa boa, vá lá!) 
Graças aos que gozavam comigo hoje ainda choro quando me chamam gorda, mesmo que seja a minha mãe e que não seja com o intuito de magoar ou rebaixar, sou automática e involuntariamente transportada para aquela altura e choro. Choro porque ainda dói e ofende tanto como quando tinha 9 anos e há-de doer sempre. Obrigado por esta "marca"!
Por isto, só peço a quem goza com os outros que pare! Parem de gozar uns com os outros, isso não vos torna mais fixes e fortes aos olhos de ninguém! Muito pelo contrário. Peço-vos, a sussurrar, como fazia quando gozavam comigo "parem, por favor!". Não se queiram tornar na dor e no pesadelo de ninguém, Magoam para sempre, acreditem nesta "vitima".

2 comentários:

  1. Nessa altura das nossas vidas bastava ser diferente para ser gozada... Nunca fui gorda, mas sempre fui a mais alta, de constituição mais larga do que as minhas colegas. Aos 13 já tinha a constituição física que tenho hoje - para a minha altura tenho um peso normal. Chamaram-me gorda várias vezes. Nunca fui e nem nunca serei magra. Vou ter sempre os ossos largos, anca e bochechas. Mas não sou gorda. Sou saudável q.b.. Gosto de boa comida, desde de doces e fritos a espinafres e sopas. Como de tudo um pouco. Tento não ser complexada, tento manter um peso saudável. Ainda assim, sinto-me sempre mais confortável com calças e tenho a mania da perseguição ao achar que vai toda a gente reparar nas minhas pernas cheiinhas quando uso saia. Talvez nisso ainda dê para perceber efeitos do bullying que sofri. Ainda procuro aceitação, custa-me acreditar em elogios, não é fácil expor-me... Mas enfim, acho que isso é transcendente a bully e vítima, a idades e géneros. Todos procuramos aceitação, se bem que lidamos com isso de forma diferente. Quem é vítima tem de ir tentando todos os dias aprender a aceitar defeitos, a ver virtudes e a melhorar o que pode ser melhorado. Boa sorte.

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    1. Primeiro que tudo obrigado pelo comentário :) concordo plenamente levamos a vida em busca da aceitação de tudo e todos e eu sou um pouco "contra" isso, talvez por saber o que é "não ser aceite". De momento a minha principal preocupação é eu aceitar o meu "novo corpo"e sentir-me bem dentro dele. Beijinho*

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