segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O jogo do faz de conta

Sempre escondi tudo o que sentia. Podia ganhar um prémio no jogo do faz de conta. 
Hoje em dia, uma das diferenças que noto nesta luta pelos complexos, é que já consigo falar deles. Antes, fingia tão bem, que se calhar só a minha mãe sabia que eles existiam, mas mesmo assim não fazia ideia que eram tantos e do quanto me afectavam. E percebo isso quando hoje conto certas coisas que fazia ou dizia e vejo o choque na cara dos que sempre me foram mais próximos. 
Acho que o que os choca nem é o facto de perceberem que eu afinal tenho e sempre tive complexos, mas sim o facto de perceberem que, apesar de lidarem comigo há 22 anos, não me conhecem. Quando penso nisto percebo o mal que fiz a mim própria em esconder tudo, em fingir que estava tudo bem, que não ligava nenhuma ao meu corpo, que isso não me afectava minimamente, quando na realidade, era no que eu mais pensava e me impedia de ser feliz. No fundo, habituei-me a viver infeliz. Agora, aprendi a ser feliz e não quero outra coisa. Ainda bem...

Sem comentários:

Enviar um comentário