segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Pensamentos (muito) complexos #2

Quando tens 16 anos e pensas que nunca um rapaz irá olhar para ti e ser capaz de te amar por teres peso a mais.

(Quando ele apareceu, pensei que estava a gozar comigo.)

O jogo do faz de conta

Sempre escondi tudo o que sentia. Podia ganhar um prémio no jogo do faz de conta. 
Hoje em dia, uma das diferenças que noto nesta luta pelos complexos, é que já consigo falar deles. Antes, fingia tão bem, que se calhar só a minha mãe sabia que eles existiam, mas mesmo assim não fazia ideia que eram tantos e do quanto me afectavam. E percebo isso quando hoje conto certas coisas que fazia ou dizia e vejo o choque na cara dos que sempre me foram mais próximos. 
Acho que o que os choca nem é o facto de perceberem que eu afinal tenho e sempre tive complexos, mas sim o facto de perceberem que, apesar de lidarem comigo há 22 anos, não me conhecem. Quando penso nisto percebo o mal que fiz a mim própria em esconder tudo, em fingir que estava tudo bem, que não ligava nenhuma ao meu corpo, que isso não me afectava minimamente, quando na realidade, era no que eu mais pensava e me impedia de ser feliz. No fundo, habituei-me a viver infeliz. Agora, aprendi a ser feliz e não quero outra coisa. Ainda bem...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pensamentos (muito) complexos #1

Combinas ir lanchar com as tuas amigas, Elas comem e tu não, para elas não pensarem "comes isso e depois admiraste de estar gorda!".

(Acredito que elas nunca pensaram isto, mas eu sempre achei que sim. Foram poucas as vezes que lanchei com as minhas amigas.)

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Parem, por favor!

Quero começar por agradecer (muito ironicamente) a quem gozou comigo durante 5 anos, porque foi graças a vocês que criei as minhas inseguranças e complexos. Foram vocês que me fizeram assim, OBRIGADOOO!
Fui vitima de bulling dos 9 aos 14 anos (5º ao 9º ano) e isso "ajudou" a construir o meu "eu" actual. Era gozada não pelos colegas de turma mas pelos mais velhos e até por um professor. Um "colega" chegou a dar-me um estalo e um empurrão, foi a situação mais grave que me aconteceu mas não foi a que mais me marcou, As palavras doíam muito mais. 
Eu achava que merecia as coisas que ouvia, pensava que não diziam aquilo para me magoar mas sim porque era a verdade e se era a verdade eu merecia ouvi-la. Hoje entendo que apesar de ser verdade o que me diziam, (eu era gorda, há que admiti-lo) eles não tinham o direito de o dizer e muito menos de me discriminar por isso. 
Eu estava a crescer, a perder a inocência de criança para me tornar numa adolescente, e eles fizeram com que eu fosse uma adolescente e adulta complexada, infeliz e a achar que seria assim para sempre. Eles tiraram-me os últimos anos mágicos da infância e destruíram o inicio de algo tão importante, como o meu crescimento enquanto mulher. Obrigado mais uma vez.
Fiz dieta (a tal fracassada do post anterior) neste período e mesmo assim eles continuaram a chamar-me gorda. Aí foi o fim da minha esperança e o inicio de mais um período negro porque achei que fizesse eu o que fizesse, perdesse o peso que perdesse para aquelas pessoas eu seria sempre gorda. Obrigado por, aos 12 anos, terem morto a minha esperança, a que dizem ser a ultima a morrer...
Talvez seja por isto tudo que hoje em dia defendo com tanta força a igualdade e liberdade, a não discriminação, o não haver pessoas diferentes e mesmo que haja pequenas diferenças entre nós, elas não podem ser um factor discriminatório. Obrigado por isto (uma coisa boa, vá lá!) 
Graças aos que gozavam comigo hoje ainda choro quando me chamam gorda, mesmo que seja a minha mãe e que não seja com o intuito de magoar ou rebaixar, sou automática e involuntariamente transportada para aquela altura e choro. Choro porque ainda dói e ofende tanto como quando tinha 9 anos e há-de doer sempre. Obrigado por esta "marca"!
Por isto, só peço a quem goza com os outros que pare! Parem de gozar uns com os outros, isso não vos torna mais fixes e fortes aos olhos de ninguém! Muito pelo contrário. Peço-vos, a sussurrar, como fazia quando gozavam comigo "parem, por favor!". Não se queiram tornar na dor e no pesadelo de ninguém, Magoam para sempre, acreditem nesta "vitima".