quinta-feira, 28 de abril de 2016

Pensamentos muito complexos #8

Quando vais à praia e não dás mergulhos normais com medo de salpicares muita água e que as pessoas digam, ou pensem: "ai a gorda salpica tudo".

(Adoro dar mergulhos, mas há anos que tapo o nariz e vou só a baixo...)


terça-feira, 26 de abril de 2016

Já foi comigo...

E se fosse consigo? - O Peso da Imagem (É um link, abram, vejam, choquem-se e depois leiam-me).

(NOTA: Vou excluir o bullying e qualquer tipo de gozo deste texto porque já falei sobre isso)

- "Gorda"
- "Feia"
- "Que desperdício esses olhos numa pessoa como tu"
- "Coitada"
- "Oh é por ser gorda..."
- "Ridícula"
- "Mas vais à praia com rapazes??"
- "Não tens vergonha?"
- "Tens uns olhos giros, mas és gorda"
- "Porque é que és assim?"
- "Nesta área a imagem conta, desculpe.."
- "Porque é que os gordos têm sempre piada?"

Continuo?? Acho que demorei menos de 1 minuto a escrever estas 12 frases, imaginem se perdesse 5 minutos a relembrar as coisas que já ouvi...

Lembro-me de quando começou o Peso Pesado Teen, muitos dos concorrentes tinham desistido da escola por causa do bulling e como isso chocou a minha mãe. A mim não me chocou. Tendo eu vivido na pele o que é ser gozada, olhada de lado, por ter algum excesso de peso e, só eu sei o que isso me afetou e me fazia sofrer, calculo que os obesos sofram ainda mais. Por isso, digo (como disse à minha mãe nesse dia) se eu fosse obesa, quase de certeza que também tinha desistido da escola para me isolar, por não aguentar a pressão.

Qual pressão? A pressão de ser gorda numa sociedade ridiculamente estereotipada, onde tudo te define, te põe de parte (ou não) e te faz sentir uma merda por coisas estúpidas.
A sério mas que merda de pessoas somos nós (e quando digo nós é enquanto sociedade) que temos a lata de mandar olhares reprovadores e como se estivessem a matar alguém quando, no fim, é só uma pessoa com excesso de peso a comer um gelado? Somos tão poucachinho!

Não aguentamos estar numa pastelaria e não olhar para depois comentar com as amigas o que é que o gordo que estava à nossa frente pediu e ainda dizemos, cheios de razão “depois queixa-se” ou “assim não admira”. Se fosse hoje, ou se eu voltar a engordar, juro que vou ser capaz de quando ouvir estas bocas e mandar um fodasse ou responder-lhe na mesma moeda.

Mas está tudo maluco? Desde quando é que passou a ser normal uma pessoa ser vitima de olhares reprovadores só porque está a comer um doce ou outra coisa qualquer (daquelas que sabe mesmo bem. Que saudades!)? Agora porque tenho não sei quantos quilos a mais tenho de comer o que vocês querem??? Tenho de vestir o que querem?? “Há que ter noção do ridículo”. Vejam-se ao espelho enquanto estão a fazer esses comentários e a mandar olhares e rápido percebem que é o ridículo da história.

No verão passado vi uma rapariga obesa na praia a usar um biquíni super reduzido. Acho bonito? Não. Eu usava? Não, porque sou uma complexada e não me ia sentir bem. Ela, ao usá-lo só está a mostrar que é feliz assim, com o seu excesso de peso e com o seu corpo e eu, engulo em seco e digo às minhas amigas “fogo pá queria ser como ela, não ter complexos”. E é ver a rapariga a passar e uma praia inteira a rir “põe-se a jeito, depois não se queixe. Está a pedi-las”.

Já passei por um pouco de tudo quando era gorda. Agora estou numa nova fase (dita pela sociedade). Estou mais magra, sou considerada uma pessoa de peso normal, já não sou alvo de olhares e tal. Pensava eu! Como é lógico toda a gente que me conhece sabe que eu perdi peso. As pessoas viram a evolução e tal. Então e agora se eu tiver um ataque de gulosice e for a uma gelataria? “Olha, já passou a dieta. Nas redes sociais é toda healthy e do fitness. Vais ver daqui a uns meses já tá na mesma.” Oh pessoas! Vá lá, já chega! Vamos apoiar-nos uns aos outros, vamos ser felizes todos juntos. És feliz com excesso de peso? Boaaa! És infeliz por não conseguires engordar? Nós ajudamos-te! Perdeste peso e estás a começar a aceitar-te? Epá parabéns!

Custa muito??? É só imaginar se fosse connosco. Já foi comigo. Agora é comigo. E qualquer dia, por outra coisa qualquer, vai ser comigo. Porque eu estou sempre fora do estereótipo que a nossa sociedade elegeu.



PS. Peço desculpa pela linguagem e pela forma "bruta" como o texto está escrito, mas foi escrito a quente logo quando o programa acabou. Ainda tentei escrever outro mais ponderado hoje, mas este é o que faz sentido ser publicado.)

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Conversas de meia-noite


É meia noite em ponto, estou deitada e a pensar. Começou um novo dia. Mais um. Tento que os dias não sejam “só mais um”. Mas é “mais um” que começo a pensar. Mais um em que a solidão toma conta dele. Começa um novo dia. Vamos ver como corre, aposto que será outro “só mais um” nada de especial. Fodasse, eu não sou assim.

Sou uma mulher independente, faço tudo por mim, o que acho que devo e mereço. E eu mereço tudo. Tenho plena noção de que, das pessoas que conheço, eu sou das que mais procuro a felicidade, que mudo ou abandono aquilo que não me traz felicidade e, tudo o que eu possa fazer ou mudar, para ser um bocado mais feliz, eu faço sem problemas e preguiças, faço disso um projecto, empenho-me ao máximo. Mas tenho sempre noção no que me meto e só invisto e insisto na ideia se ela for realizável. É uma defesa. Lido muito mal com as minhas falhas. Deitam-me completamente a baixo.

São muitos os dias em que penso que sou uma merda. Não mereço nem valho nada. Depois tento contradizer estes pensamentos. Mas há fases. Estou numa fase em que penso isto todos os dias. Queria que alguma coisa me corresse bem, algo de que eu me pudesse orgulhar. Sou feliz sozinha. Adoro estar sozinha. Mas há 3 anos que estou solteira. Há 3 meses que vivo na solidão. Estou-me a ir a baixo. Fodasse, odeio não ter controlo sobre isto.

Nunca precisei de ter namorado para estar feliz, muito pelo contrário, sempre fui mais feliz estando solteira do que comprometida. Daí os meus namoros serem sempre de poucos meses. Mas agora estou mais confiante, estou feliz com o meu corpo e apesar destas fases mais “depressivas” sei que sou feliz comigo. Quero alguém para partilhar isso. Alguém que faça uma festa tão grande quanto a minha quando “aparece” mais um músculo, um osso.

Alguém que me dê a mão e diga “vai tudo correr bem, eu estou aqui.”. Alguém que me mime, que me faça ver que sou bonita, que agrado a alguém. Cheguei ao ponto em que, para estar bem e para poder “evoluir” psicologicamente, preciso de um suporte. Que eu seja alguma coisa para alguém, que me faça ver que não sou um monstro.


Sinto-me um monstro. Estou sozinha, numa solidão. É meia noite e começou um novo dia. Mais um dia que vai ser  “só mais um”. Fodasse, mas eu não sou assim.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

10 factos (estranhos) sobre mim

1- Tenho "fobia" a pés. Fobia está entre aspas porque não é medo, nem é nojo, é impressão. Ninguém me pode tocar com os pés, eu tocar em pés muito menos, nem em pés de bebés. Toco nos meu, mas a seguir vou lavar as mãos.

2- Não gosto de coca-cola, nem batatas fritas (só algumas do pacote), nem de Mc Donalds (só o cheiro dos restaurantes me deixa agoniada), nem de hambúrgueres no geral.

3- Só bebo água fria, quer seja verão ou inverno.

4- Uso palmilhas ortopédicas (ou melhor, devia usar...).

5- Há 10 anos que tento aprender a tocar viola (nem 1 acorde sei...).

6- Estou constantemente a cair, e quando digo constantemente não é exagero. Onde quer que eu vá, passadas 3h já sou conhecida como a trapalhona que está sempre a tropeçar (e se for só a tropeçar já é um dia bom!).

7- Uso óculos (calma, eu sei que isto não é estranho), o que é estranho é que eu tenho SÓ miopia num olho e SÓ estigmatismo no outro (segundo o médico isto não é normal). Vejo muito muito mal sem óculos, mas se tapar um olho, o que vê bem ao longe faz uma espécie de zoom ahahah (sou muitooo estranha eu sei).

8- Tenho uma aversão máxima a azeitonas. Nunca provei uma azeitona, o cheiro dá-me vómitos, não toco em azeitonas e não como nada em que uma azeitona tenha tocado.

9- Tenho 2 dedos dos pés colados, nos 2 pés (acho que começo a perceber de onde vem a minha "fobia"). Se não perceberam pesquisem no google sindactilia. O Ashton Kutcher também tem este problema (menos mal!).

10- Não gosto nem de favas nem de ervilhas cozidas ou melhor cozinhadas. Mas cruas?! Venham elas!!!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Pensamentos muito complexos #7

O meu ex namorado tratava-me por Popota. 

(Se ele me chamasse princesa, eu não gostava e dizia que era foleiro. Popota achava que era a única alcunha que se adequava a mim e, por isso, não me importava.)



Receitas com lágrimas #2

E como hoje o dia está cinzento, nada melhor do que ficar no sofá a pôr as séries e filmes em dia. E o que é que combina com isto tudo mas que nos estraga um bocadinho a dieta? Não, não é o chocolate quente (quem me deraaa!), são as PIPOCAAAAAS!!!!!!!!!

É verdade, descobri há tempos, uma receita de pipocas saudáveis, em que a única diferença é que em vez de serem feitas em gordura (óleo ou manteiga) são feitas em água. Amigas, desde que descobri isto, meu deus, como tantas mas tantas pipocas. 

Vá ponham a série ou filme a carregar enquanto lêem a receita.

Ingredientes:
- Água
- Milho para pipocas
- Sal fino
- Recipiente (que dê para ir ao micro ondas) 
- Película aderente 

1º passo: Colocar o milho dentro do recipiente (utilizem uma colher de sopa para medir a quantidade de milho)
2º passo: Colocar a mesma quantidade de água que colocaram de milho
3º passo: 2 colheres de sopa de sal fino e mexem
4º passo: Cobrir o recipiente com a película aderente e fazer 4 furos com o bico de uma faca.
5º passo: 8 minutos na potência máxima do micro ondas 

(NOTA: Costumo fazer 5 colheres de sopa de milho, dá para um recipiente médio cheio, mas normalmente partilho com a família toda. Comam, mas também não exagerem. Tudo o que é em exagero, faz mal.)



segunda-feira, 4 de abril de 2016

Porque o dia das mentiras é todos os dias

As redes sociais são um mar de mentiras. Fingem que estão de bem com a vida quando não estão. Fingem ser amigos de quem não são, gostam do que no fundo não gostam. Mas virando o tema para para o blog: vivemos num mundo saudável.
De agora em diante nunca mais vamos ver noticias de que Portugal é um país de obesos, que comemos mal, que as crianças vão ser todas obesas e tudo o que estamos habituados a ouvir. Porque segundo o que vejo no facebook, instagram e afins, hoje em dia, toda a gente faz #healthychoices e vive uma #healthylife. 
Era tão bom que fosse verdade, eu gostava a sério, ver toda a gente saudável, a treinar, a sentir-se bem e com saúde. E assim até os preços das coisas saudáveis iam descer, o que era excelente (para mim e para quem é realmente saudável, porque para os outros que compram leite de aveia uma vez por ano só para pôr no facebook não custa muito). 
Não percebo porque é que as pessoas fingem ser o que não são, porque é que o ser saudável virou moda e não um estilo de vida, como era suposto. Já vi quem ponha uma fotografia de bolo quase todos os dias (é o pequeno almoço) mas houve um dia em que pôs uma fotografia de um batido com umas sementes e passou a viver uma #healthylife. E depois há quem entenda tanto do mundo saudável que publicou uma fotografia onde dava a entender que ia entrar em dieta mas comeu granola com grego (açucarado!) antes de se ir deitar. E aí pensei, eu não sou nutricionista, mas já perdi peso, sei que comer granola antes de ir para a cama não é de todo uma boa escolha, se calhar digo-lhe, ela quer perder peso e tal. Passados 2 dias a mesma pessoa publicou uma foto de um bife com natas e batatas fritas ao almoço e eu pensei "deve ser a refeição da asneira", no dia seguinte fez um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, no fim do dia pôs uma fotografia do prato, porque já tinham despachado o bolo. Vá lá que não lhe pôs umas sementes por cima com o #behealthy.
Será que sou só eu que acho isto ridículo e uma falta de noção? O querer parecer uma coisa que não se é, a importância que dão às redes sociais faz-me confusão!
Actualmente há 2 mundos: o real e o das redes sociais. No das redes sociais todos são saudáveis, no real continuam a haver bifes com natas e batatas fritas. Que pena não ser ao contrário!

(Achei que este poema do Fernando Pessoa se enquadrava bem no tema, pena não se emagrecer através das redes sociais, mas há sempre filtros e cenas a safar a coisa)

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente 
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente." 

Autopsicografia, Fernando Pessoa